O amor é lindo, o que estraga é a convivência? | 180 dias de viagem

Após deixarmos nossa antiga vida no RJ, estamos rodando por toda América do Sul e depois de 180 dias na estrada, resolvemos contar como é viajar em casal.

Sem querer desmerecer viagens românticas, mas é muito mais fácil viajar e se hospedar em resorts, jantar em restaurantes e fazer passeios com agência. Repito, não quero diminuir a importância desse tipo de viagem, inclusive sentimos falta de algo assim.

No entanto, viajar em casal de forma contínua te expõe a situações bem mais delicadas, colocando à prova alguns sentimentos. Minha paciência que o diga.

De certa forma, todos esse problemas acontecem quando se está em casa também, mas é como se por aqui as coisas fossem mais intensas.

Como é conviver 24h por dia

Não quero de forma alguma vender uma ilusão de amor perfeito. Longe disso! Apesar das fotos sempre sorridentes e amorosas no Instagram — tá, nem sempre — também temos nossas desavenças. Viajar a dois é tudo, menos fácil.

Se para um casal que compartilha algumas poucas horas do dia já é complicada a convivência, imagina para os que convivem numa escala 24/7. Agora você pensa na paciência de jó que eu não tenho que ter. Óbvio que o Yu não passa por isso, já que sou uma namorada perfeita.

Agora soma a isso uma instabilidade profissional ainda maior, uma fraqueza emocional por estar tão distante de muitas pessoas que amamos e uma insegurança por não ter uma cantinho para chamar de seu. Sim, apesar de gostarmos do nosso estilo de vida, é razoável sentir falta de coisas ditas como tradicionais.

Feito siameses, fazemos boa parte das nossas atividades juntos. É estranho porque já não temos novidades para contar. Aquela sensação quando algo de bom acontece e você pega o telefone para revelar nos mínimos detalhes. Ou aquela fofoca no fim do dia sobre o que aconteceu na faculdade, trabalho, academia.

A convivência é tão intensa que por vezes não sabemos onde começa um e onde termina o outro. Parece que o nosso corpo entra em um estado de sincronia — até nosso pum fica com o mesmo cheiro.

Na intenção de resgatar um pouco a nossa individualidade, acabamos nos perdendo em um banho mais demorado, em uma ida ao supermercado ou simplesmente estando cada um em um canto lendo suas notícias.

Apesar dessas coisas, preciso admitir que tenho sorte, muita sorte. E você já vai descobrir o porquê.

dicas para viajar em casal

Por que não me arrependo de viajar em casal

A primeira e mais óbvia é porque não me imagino iniciar essa viagem solo. Sempre que pensamos em algo grande que fizemos em nossas vidas, estávamos acompanhados de alguém. Se não tivesse o Yu ao meu lado, para alimentar os meus sonhos, certamente estaria na minha vida de sempre — não que fosse ruim.

Além de ser o empurrão que faltava, o Yu também assume o cargo de sustentador. Nem sei se essa era a palavra certa, mas o que importa? Se o que vale aqui são os momentos nos quais eu estou estressada, triste e chorosa e ele traz de volta o equilíbrio.

Perdi as contas das vezes que ele limpou as minhas lágrimas. Quando a tristeza me abatia por conta do nosso orçamento estritamente apertado, das nossas dívidas que parecem impagáveis e da saudade e preocupação que não cabem no peito das pessoas que “deixamos” no Rio.

Também não sei como seria a viagem se eu não tivesse o Yu para conferir os ambientes centenas de vezes para confirmar que não estamos esquecendo nada — e assim perceber que tinha uma roupa minha embaixo da cama.

Para me fotografar nas minhas mais idiotas poses.

viagem em casal brincadeiras

Com quem eu iria brigar para que pudesse escolher o filme e não durar 15 minutos acordada depois que começasse?

Como seria alugar uma bicicleta para conhecermos alguns pontos turísticos, se não tivesse o Yu para falar que foi uma péssima ideia e que nunca mais faremos isso de novo — até chegar em outra cidade.

Além disso, seria muito complicado não ter uma camisa que pudesse sugar a minha baba durante a noite.

Ou alguém que me ajude a encontrar justificativa para não tomar banho naquele dia, porque estava com preguiça.

Pelas vezes que fui desesperada atrás do Yu após ligar a câmera e achar que estava ruim, mas era só o tampão da lente que eu não havia tirado.

Pelo jeito idiota do Yu de associar o meu nome à atitudes mongóis. Não é incomum ver o Yu falando que tal pessoa julianou, porque levou um tombo, perdeu dinheiro ou esqueceu alguma coisa.

Tenho sorte por poder conhecer o seu melhor e, eventualmente, o pior. Com certeza, essa viagem fez da gente ainda mais cúmplices. Praticamos quase que todos os dias ações para encorajar o outro, damos asas para imaginação. Somos praticamente parceiros de crime.

O que fazemos para nossa viagem em casal dar certo

Todas as coisas que estamos aprendendo durante essa viagem em casal, sei que são verdadeiras lições para a vida. Também sei que aprenderíamos de qualquer jeito, no entanto, aqui, é como se estivéssemos em um intensivão.

Aqui não é possível virar a cara e ir cada um para sua casa. Não dá nem para cada um dormir em um cômodo. Somos “obrigados” a resolver os nossos problemas — posso confessar uma coisa? Isso é ótimo!

Fazemos graça de tudo

Quando falo tudo, é tudo mesmo. Por mais que a gente fique triste ou irritado em algum momento com determinadas situações, pode ter certeza que vamos arranjar um espaço para fazer uma piada.

É tão estranho, que a gente chega a perguntar: cara, por que estamos rindo disso? Estamos ferrados.

Posso afirmar que a vida fica muito mais leve assim.fotos viagem em casal

Comunicação direta

Tentamos não dar espaço para uma comunicação nas entrelinhas. Ou esperar que o outro adivinhe o que estamos sentindo. Quando se faz necessário, soletramos nossas vontades. Estamos sozinhos aqui, não queremos e nem podemos nos dar ao luxo de tirar algum dia para ficar de birrinha sem falar.

Não conseguiria passar um dia sem conversar. É demais pra mim. hahaha

Com isso, aprendemos a ser mais pacientes, compreensivos, tolerantes e menos impulsivos. No entanto, revirar os olhos para mostrar a insatisfação é essencial para garantir que o outro tenha entendido o recado. Aprendemos a gerir nossas emoções.

Respeitar o espaço do outro

A gente faz quase tudo junto — a hora do coco a gente respeita. No entanto, é preciso perceber quando o outro quer recuperar um pouco da sua individualidade. Ou as vezes nem isso, simplesmente quer ficar na dele. Todo mundo tem um dia assim, não é?

Não dá para ficar cobrando atenção o tempo todo, até porque né..

Ceder e respeitar as vontades do outro

Como casal, já temos que decidir algumas coisas juntos. Isso fica ainda mais potencializado na viagem, porque se vai mal para um, vai mal para o outro também.

Portanto, tentamos sempre tomar as decisões em conjunto e, dependendo da situação, com certa antecedência. Sempre que tomamos decisões sob pressão, abrimos margem para um momento de estresse.

Fora isso, quando um não quer, dois não brigam. Portanto, não tentamos impor as nossas vontades.

viajar em casal

Cozinhamos juntos quase todos os dias 🙂

180 dias viajando. Conhecendo destinos incríveis, mas, na maioria da vezes, em situações nada romântica.

Podemos dizer, que o segredo do “sucesso” é o mesmo para qualquer situação, tanto em uma viagem em casal quanto em casa: respeito, tolerância e amizade. O resto a gente dá um jeito.

Ah, por fim, gostaria de deixar claro, mais uma vez, que te amo, Yu ♥



  • Ivan Nogueira da Silva

    Belo texto! Parabéns ao casal ter a coragem de fazer o que muitas pessoas têm vontade mais não faz.

    • Juliana Noronha

      Muito obrigada, Ivan! Não é fácil, mas ao mesmo tempo é muito recompensante.
      Abraços! ♥

  • JAQUELINE NORONHA

    QUE DEUS ABENÇOE A VIDA DE VOCÊS E A CADA DIA RENOVE O RESPEITO, A TOLERÂNCIA, A AMIZADE E O AMOR!!!
    SAUDADES!!! S2

    • Juliana Noronha

      Sua linda, te amoo muito e estou morrendo de saudades!
      Amém!
      Beijos ♥

  • Juliana Noronha

    obrigada, Mayara!! ♥♥♥
    Vale sim! 🙂
    Beijos!