Vulcão Villarrica | a jornada ao cume do vulcão mais ativo da América do Sul

Não sabe o que fazer em Pucón? Se você tem bom preparo físico, não deixe de subir ao Vulcão Villarrica — um dos vulcões mais ativos do mundo. Sem dúvida, será uma das experiências mais incríveis da sua vida!

Entre os 10 Vulcões mais ativos do mundo temos o Vulcão Villarrica — que é também o mais ativo do Chile. E, apesar da sua constante atividade, é um dos poucos lugares do mundo onde é possível ver essa ação da natureza tão de perto.

Esse tipo de informação assusta uns e desperta a curiosidade de outros. Felizmente, fazemos parte desse segundo grupo, que fica fascinado com a possibilidade de ver e estar, de forma segura, no cume de um vulcão #sóocumeinteressa.

Estávamos em El Chaltén, quando em meio a trilha para o Monte Fitz Roy, uma das meninas do nosso grupo, comentou sobre a possibilidade de chegar até o topo do Vulcão Villarrica em Pucón — destino esse que, coincidentemente, estava na nossa rota.

De lá para cá, foram dias pensando em como seria inesquecível essa experiência — e, de fato, foi.

Como são formados os vulcões?

Antes de tudo, preciso deixar o meu agradecimento ao Google, já que, sem ele, eu jamais conseguiria dar essa pequena e simples aula de geografia.

Pois bem, os vulcões são formações geográficas proveniente dos movimentos de grandes placas de rocha que formam a crosta terrestre. Quando as placas tectônicas se chocam, movimentam o material presente em cima delas. Isso ocasiona uma abertura que permite a saída do magma presente entre a crosta e a manta – camada média da Terra.

Se o magma não encontra saída, ele fica acumulado em uma espécie de reservatório, a câmara magmática.

Quando esse reservatório está com muito magma, pode acontecer uma erupção. Depois de expelido, o magma que sai pela chaminé do vulcão é chamado de lava.

Ou seja, a formação e a erupção de um vulcão ocorrem graças ao choque das placas tectônicas.

Isso é tudo, pessoal! rs

Dicas de viagem para o Chile Vulcão Villarrica

Vulcão Villarrica visto desde a cidade de Pucón

Algumas curiosidades sobre o ativo Vulcão Villarrica

Para início de conversa, estamos falando de um estratovulcão de aproximadamente 2.847 m de altura. Ele fica localizado próximo ao pequeno povoado de Pucón, uma encantadora cidade a cerca de 789 km de Santiago — é possível fazer esse combo Santiago+Pucón em uma mesma viagem, o trajeto de ônibus dura por volta de 10h.

Mesmo que de modo silencioso, o vulcão aparece de forma imponente em diversos ângulos da cidade e sua constante fumaça vem para confirmar sua atividade. A sua presença marcante faz dele uma das principais atrações quando o assunto é o que fazer em Pucón.

Seu nome original é Rucapillán, que na língua mapuche significa “casa del diablo”. Isso nos faz crer que o diabo ainda mora ali dentro. Não à toa, o vulcão conta com 59 registros de erupção — sendo a última no ano de 2015. Tais dados fazem dele um dos vulcões mais ativos atualmente.

Apesar disso, a visita turística é liberada e regulamentada. A primeira ascensão aconteceu no ano de 1930 e, hoje em dia, permeia o imaginário de muitos viajantes.

Em nível de curiosidade, na alta temporada, o vulcão chega contar com a visita de até 400 turistas.

É uma atividade segura, mas que requer atenção e preparação.

Vulcão Villarrica subida

O sorriso no rosto de quem não sabia o que viria pela frente

Subida ao Vulcão Villarrica

Antes de qualquer coisa, se você não possui o certificado da Federação de Andismo do Chile não vai conseguir fazer a subida por conta própria — ainda bem—, apenas com a presença de guias credenciados.

Toda a preparação para o passeio começa no dia anterior, quando temos que ir até a agência experimentar o equipamento. Isso se faz necessário, porque a saída para fazer a ascensão ao vulcão acontece bem cedo (6h30). Portanto, ao deixar para provar o equipamento no dia, pode trazer algumas desagradáveis surpresas, além de atrasar a partida.

Fora o fato de ter que experimentar as roupas, essa visita na noite anterior garante um pouco mais de tempo para o guia mostrar todos os outros equipamentos que vamos levar na mochila e para que cada um serve.

Não preciso nem dizer o quanto estávamos ansiosos, né? Quem nos acompanha pelo Instagram já deve ter visto centenas de fotos do vulcão — desde a cidade — e lido zilhões de vezes o quanto queríamos fazer essa subida.

Finalmente aconteceu!

topo vulcão villarrica

Uma das vistas que o topo do Vulcão Villarrica proprociona

Vulcão Villarrica | Outono 2017

Eis que chegou o grande dia. Por volta das 6h45, o Joaquín — dono e guia — da Antupucon já estava no portão do nosso hostel. Como já era final de outono, o dia amanhece um pouco mais tarde e, por isso, estava tudo escuro.

Fomos até a oficina para vestir os equipamentos que havíamos provado na noite anterior e pegar a nossa mochila para partimos em direção ao vulcão. O Villarrica está localizado a aproximadamente 17 km desde a cidade de Pucón — menos de 25 min. Especialmente no inverno, esse trajeto precisa ser feito com uma 4×4 ou com correntes no carro, por conta da neve na estrada.

Todos prontos, iniciamos a nossa caminhada por volta das 8h e alguma coisinha. Dado o período que fomos, a neve nos acompanhou desde o primeiro passo, com uma pequena desvantagem: o teleférico não estava funcionando. Na verdade, ele não funciona na temporada de outono/inverno.

Conforme o Joaquín nos informou, o teleférico corta mais ou menos 1h de caminhada. De maneira geral, começamos a caminhar em cerca de 1400 m de altitude, no verão é possível começar em 1800 m — uma senhora mão na roda.

Primeira parte da subida ao Vulcão Villarrica

Como falei acima, não tínhamos teleférico e começamos a caminhada desde os 1400 m. Nessa primeira parte, o guia aproveita para avaliar melhor as condições físicas de cada um, para tentar compreender o ritmo que precisa seguir.

Na alta temporada, quando os grupos são bem maiores, os guias dividem as pessoas em três grupos de quatro pessoas (já que o máximo por agência são doze):

  • Pessoas com um ritmo rápido;
  • Pessoas com um ritmo moderado;e
  • Pessoas com um ritmo devagar.

Como estávamos apenas em 3 pessoas, além do guia, precisamos nos adaptar ao ritmo do outro — na verdade, o outro menino que nos acompanhava que precisou se adaptar ao nosso ritmo, já que estávamos bem devagar.

Mas não se sinta mal, como o próprio guia falou: precisamos caminhar como velhinhos, para chegarmos ao topo como jovens. Você precisa respeitar as condições do seu corpo. Mesmo estando em uma pequena quantidade — considerando todos os grupos que estavam subindo naquele dia — vi duas pessoas desistindo no meio do caminho.

Com mais ou menos 1h de caminhada, fizemos a nossa primeira grande parada. O cansaço estava nítido em nossos rostos. E, apesar de não falarmos nada, o corpo falava pela gente.

Já nesse momento comecei a me culpar por ter abandonado  todo e qualquer tipo de atividade física, por conta da correria da viagem — atualmente minha atividade física se limita ao levantamento de garfo e copo. E aproveitei para reavaliar essa situação, pois não pode continuar assim.

Mas, como não adianta chorar pelo leite derramado, continuamos a caminhada.

Metade do caminho para o cume do Vulcão Villarrica

Essa parte foi triste. Reflexo de uma vida tanto quanto sedentária, nossas articulações davam severos sinais de existência. Aquela partezinha que liga a perna à virilha então, não gosto nem de comentar.

A partir dos 1900 m começamos uma caminhada em zig-zag. Já não tínhamos pernas para dar um passo acima. Fazer uma caminhada nesse porte te exige equíbrio físico, mental e de espírito.

Olhávamos para cima e estava claro que ainda teríamos um longo caminho pela frente. O Joaquin, nosso guia, tentava de todas as formas trabalhar o nosso psicológico.

Durante esse meio tempo paramos em uma parte que os guias carinhosamente chamam de pinguinera — pois na alta temporada fica recheado de turistas aglomerados, o que faz lembrar pinguins —  para comer algo que desse um pouco mais de energia. Essa seria a última grande parada, já que por ser muito frio, temos que escolher parar em locais onde não corre muito vento.

A um passo de chegar

Eu não vim até aqui pra desistir agora, entendo você se quiser ir embora. Essa música tem nos acompanhado desde quando fizemos o circuito completo em Torres del Paine e aqui não foi diferente.

Pensávamos estar já no limite dos nossos corpos, mas seguíamos cantando essa música. Desistir, de fato, não era uma possibilidade. Tivemos que nos sacrificar bastante para realizar esse sonho e não o deixaríamos escapar assim.

Mas confesso que estava cada vez mais difícil.

Chegamos na parte mais complicada no quesito segurança. O guia exigiu de nós bastante atenção, porque a neve nesse trecho não era fofa. Na verdade, era bem dura, assemelhando-se a gelo. Ou seja, escorregar se tornaria muito mais fácil.

Colocamos os camprons nas botas — uma espécie de garras para ajudar a fixar os pés nas neves —, o Joaquín repassou as instruções de uso do piolet e o que deveríamos fazer caso acontecesse algum deslize.

Mais uns 35 minutos de caminhada e chegamos ao “falso cumbre”.

Cratera do Vulcão Villarrica

Chegamos!! Depois de 5h30 de caminhada

Chegamos ao Cume do Vulcão mais Ativo do Chile

Deixamos nossas mochilas no falso cume e caminhamos mais uns cinco minutos até o tão sonhado e esperado topo do vulcão Villarrica. A sensação ao chegar é inexplicável. De fato precisa passar para entender.

Você está simplesmente desafiando a natureza — e no nosso caso, nosso corpo também. Não é incomum se pegar boquiaberto por estar em cima de um vulcão que, não faz dois anos, entrou em erupção.

Além da possibilidade de ver a lava, que é o ápice do passeio, você ainda tem vistas incríveis de diversos outros vulcões como o Quetrupillán, Lanín, Llaima, Lonquimay e os lindos lagos Caburga e Villarrica.

Infelizmente não podemos ficar por muito tempo, porque é muito frio mesmo e a fumaça é tóxica. O tempo médio de permanência pode variar entre 5 e 15 minutos. Essa é a única parte negativa.

Portanto, quando estiver no falso cume se preparando para subir, já deixe tudo pronto como câmera, pau de selfie e o que mais quiser. Porque os primeiros minutos serão apenas de “uaaaaaau”. Foi o que aconteceu com a gente e ocasionou de não termos muitas fotos.

Quanto tempo de subida até o Vulcão Villarrica?

São aproximadamente 4,8 km de ida, no qual é possível realizar entre 3-5 horas. Nós realizamos em 5h30, isso porque no final o nosso ritmo ficou bem devagar. A descida é bem mais rápida, em especial quando tem bastante neve, cerca de 2 horas é o suficiente para completar o trajeto.

Iniciamos a caminhada próximo aos 1400 m, com o objetivo de alcançar o ponto mais alto de 2.847, considerando assim uma subida acumulada de 1.427 m.

Vista para o Vulcão Lanin

Vista para o Vulcão Lanin

Quanto custa o tour de subida ao Vulcão Villarrica?

Depende muito da temporada, mas desde a última erupção, o Governo se tornou um pouco mais rigoroso quanto aos requisitos o que fez aumentar o custo do passeio.

Na alta temporada, o passeio chega custar 90 mil pesos chilenos (aproximadamente 450 reais). Caminhando entre a rua principal você conseguirá encontrar preços variando de 75 mil a 95 mil pesos.

De maneira geral, as agências que cobram bem mais barato tendem a prestar o serviço um pouco mais inferior. Não digo nem pelos equipamentos — e olha que quando fizemos, encontramos um brasileiro que não tinha máscara de gás, apenas um paninho.

Mas o que quero bater na tecla é que por vezes as agências cobram mais barato, mas não oferecem assistentes para acompanhar os guias e voltar com algum desistente.

Presenciei dois casos:

  • o primeiro de uma menina que desistiu logo no início e teve que ficar sentada perto do centro de ski esperando o restante do grupo voltar — põe umas 8h na conta.
  • o segundo de um cara que desistiu já quase no final. Por sorte, o nosso grupo estava caminhando no mesmo ritmo e a guia dele perguntou se o Joaquín podia continuar com o amigo (já que eram uma dupla). Mas, enquanto nós subíamos, o cara que desistiu teve que ficar no meio do caminho esperando.

Ou seja, é o barato que sai caro.

O que está incluso no valor?

Cada agência tem a sua política de preços e oferta de equipamentos. Nós fizemos a ascensão ao vulcão com a Antupucon e no preço praticado estava incluso:

  • Equipamento completo
    • Botas de montanha impermeáveis
    • Crampons (garras), capacete, máscara de gás, “trenó” de plástico e piolet
    • Polainas, bandanas, jaqueta e calça impermeáveis, luvas e “cobre traseiro” para deslizar na neve
    • Mochila
  • Transporte ida e volta desde o seu hotel até o Centro de Ski (base do Vulcão)
  • Entrada no Parque Nacional  Villarrica (4.ooo pesos chilenos)
  • 1 guia profissional para cada três pessoas no máximo
  • Seguro obrigatório
  • Bebida de despedida ao voltar para agência

O que levar para subir ao Vulcão Villarrica

  • Para a parte de cima: 3 camadas (segunda pele, fleece e um casaco) que sejam fáceis de tirar
  • Para a parte de baixo: Uma calça grossa (nós usamos uma calça normal e um fleece que é mais quentinho) e uma meia grossa (nós compramos uma meia térmica na Decathlon)
  • Um par de luvas e gorros são sempre bem vindos
  • Óculos de sol
  • Protetor solar
  • Comida: biscoitos, maçãs, chocolate e sanduíches
  • Bebida: 2l de água por pessoa (muito importante: não há onde repor!)
  • Câmera (imprescindível)
Entardecer no Vulcão Villarrica

No fim de tudo, ainda somos presenteados com esse lindo entardecer

Qual a melhor época para fazer a subida ao Vulcão Villarrica?

Olha, vou te falar que essa pergunta é um pouco difícil. A vantagem de ir no verão é que o teleférico estará aberto e o caminho com menos neve, o que torna a caminhada um pouco menos cansativa.

A desvantagem de ir no verão é que o período é de altíssima temporada, o vulcão estará sendo massivamente visitado, os preços nas alturas e o caminho com menos neve.

Ué, tá maluca, Juliana? Você acabou de falar que isso era uma vantagem. Sim, é uma vantagem na hora de subir, mas na hora de descer, quanto mais neve, melhor. Pode te poupar umas duas horas.

O problema de ir no inverno, além da baixíssima temperatura, é que a neve costuma estar com um aspecto de gelo, o que dificultada a caminhada — e, em alguns casos, pode até suspender a ascensão.

Nós fomos em maio e ficamos bastante satisfeitos, além de ser baixa temporada — o que resulta em preços um pouco melhores.

No mais, as agências oferecem esse passeio durante todo o ano, dependendo das condições climáticas. A grande sacada aqui é reservar ao menos 4 dias para conhecer Pucón, dando prioridade para o Vulcão, pois se for preciso reagendar o passeio por conta do tempo, você terá outros dias disponíveis.

Como falei acima, é uma experiência indescritível! Por isso, reunimos nesse vídeo os melhores momentos da nossa subida ao Vulcão Villarrica. Confira!

Dados importantes:

Antu Rios e Montanhas
Facebook: https://www.facebook.com/antupucon/
Instagram: https://www.instagram.com/antupucon/
Reputação no Tripadvisor: Nota 5
Whatsapp: 56 9875-6013

O Para Onde Fomos fez o passeio em parceria com a Antu Rios e Montanhas. No entanto, tal condição não interfere no relato das nossas experiências. Só divulgamos o que testamos e de fato gostamos. Muito obrigada por essa linda oportunidade.



  • Juliana Noronha

    hahahahahahahahaha
    Mil desculpas pelas portadas!!!

    Feliz em ver você por aqui!! Obrigada pelo comentário!
    Abraços!

  • Juliana Noronha

    Sério? Que sensacional, Lenice! ♥♥♥
    O Villarrica é incrível mesmo, vai ser difícil uma outra superar. hahaha
    Grande abraço!!