Conhecendo a famosa e luxuosa Punta del Este

Diferente de tudo que já tínhamos visitado, Punta del Este apareceu para nos mostrar o lado mais famoso e luxuoso do Uruguai, que apesar de caro, vale a pena fazer uma visita. Por isso, compartilhamos com vocês os passeios e alguns custos.

Após alguns dias de calmaria divididos entre Punta del Diablo e Cabo Polônio, chegou a vez de conhecer o lado um pouco mais badalado e bem luxuoso do Uruguai: Punta del Este.

O nome retrata perfeitamente sua localização geográfica: Ponta do Leste, na pontinha oriental do Uruguai, sua península marca a divisão entre o Rio da Prata  (baía) e o Oceano Atlântico (mar aberto), resultando assim em suas duas conhecidas praias mansa e brava.

Punta del Este no inverno (baixa temporada)

Confesso que a gente estranhou um pouco o clima da cidade, pois tínhamos em mente a agitação que tanto nos é falada. No entanto, o que encontrávamos a noite eram ruas e orla vazias. Durante o dia, os pontos turísticos até ficavam cheios, mas era perceptível que o clima dos que a visitavam não era unicamente de badalação. Assim como demais localidades do litoral uruguaio, esse balneário vibra mesmo no verão.

Há quem prefira a cidade com esse clima — o que é o nosso caso —  porque as coisas tendem a ser mais baratas, vide corridas de táxi, e ter mais promoções. Além, claro, de pontos turísticos menos disputados.

Passeios como visita a Casapueblo, cassinos, caminhada pela orla até a região do porto e a escultura dos dedos estarão presentes em qualquer época do ano. Portanto, quem não vai a Punta atrás de praia, não sente dificuldades em ir na baixa temporada. Pelo contrário, vai curtir um climinha mais de “férias no campo”, caracterizado pelo friozinho e silêncio nas ruas.

Quando o assunto for restaurante, os que ficam próximos ao porto ou no centro da cidade conseguem driblar essa sazonalidade, atraindo todo tipo de turistas, até mesmo os que procuram descanso e, portanto, se mantém abertos durante todo o ano.

Punta del Este

Transporte em Punta del Este

Estamos fazendo todo o nosso mochilão com base em transportes públicos e, quando a vergonha deixa, caronas. Não tivemos muitas dificuldades com o transporte na cidade — exceto pela visita a Casapueblo que explicarei mais pra frente — a demanda de ônibus nos pareceu boa e não acho que carro seja um item indispensável.

Obviamente, o conforto e liberdade que um automóvel próprio te oferece não dá para ser comparado. Ou seja, se tiver condições, alugue; mas se não puder, não vai morrer por conta disso.

Sem contar que a cidade é agradabilíssima para fazer uma caminhada. Se tiver disposição, percorra por toda a orla e tenha um dia revigorante. Aposte nesse estilo de locomoção para pontos turísticos próximos e não irá se arrepender.

Um ponto um pouco mais delicado é a questão do táxi. Não usamos, mas o que lemos em determinados blogs nos fez entender que é uma opção bem cara. Parece que os táxis não ficam circulando nas ruas a procura de um passageiro. Eles aguardam em seus pontos algum possível chamado e o taxímetro passa a rodar a partir desse momento.

Ou seja, se você estiver no hotel e solicitar o serviço do táxi, a partir do momento que o motorista sai do seu ponto para ir ao seu encontro, já começa a rodar o taxímetro. Além disso, parece que eles ainda cobram um valor equivalente ao retorno :O então fiquem ligados, se por algum motivo forem solicitar um.

Punta del Este

Onde se hospedar em Punta del Este

Se você, assim com nós, estiver fazendo essa viagem de ônibus, o ideal é que escolha uma área mais próxima à Península, já que ficará a poucos metros de alguns dos pontos de interesse da cidade: rodoviária, Los Dedos, o cassino Conrad, farol e toda a orla.

Durante o nosso período em Punta del Este ficamos hospedados no The Trip Hostel. Tínhamos escolhido por conta da localização e preço. Ele fica bem próximo a rodoviária — o que foi uma mão na roda pra gente, já que não aguentávamos mais carregar a mochila. Além disso, tem mercado, farmácia e alguns bares ao redor.

Outro ponto que levamos em consideração foi o preço. A diária fica por volta de 33 reais em um quarto compartilhado, com o café da manhã incluso — tinha cereais, achocolatado, suco, pães, torradas e doce de leite a vontaaaaaade.

Apesar de ser hostel, lá tinha um clima bem tranquilo e caseiro. Não era muito festeiro e não extrapolavam no barulho depois do horário definido, o que nos permitiu boas noites de sono.  Um outro ponto super positivo, pelo menos para gente, é que a cozinha do hostel é super bem equipada. Acredite, é bem provável que você considere cozinhar em uma das refeições; o Uruguai é um pouco carinho.

Quem acompanha as nossas redes sociais deve saber que, no último dia, ao conversar com o gerente do hostel e contar a nossa história, ganhamos as hospedagens. No entanto, não dividimos nada que não tenhamos experimentado e gostado. Obrigada ao The Trip Hostel pela oportunidade e por ter acreditado em nosso projeto.

Punta del Este

O que fazer em Punta del Este

De fato, Punta del Este não é o estilo de cidade ideal para o nosso tipo viagem, já que quase não possui atrações gratuitas e o custo de vida é bem alto — bem alto mesmo. No entanto, não podemos deixar de evidenciar suas belezas e principais atrativos.

Los Dedos

Los Dedos - Punta del Este

Uma mão que emerge da areia é a marca registrada do balneário e por ser, inacreditavelmente, um ponto turístico gratuito, essa atração é disputadíssima. Se estiver indo em alta temporada, já vá conformada de que outras pessoas aparecerão em sua foto. risos

La Mano, Los Dedos ou Hombre Emergiendo a la Vida são algumas das formas pela qual a escultura do Mario Irarrázabal é conhecida. Criada em 1982 no primeiro Encontro Anual Internacional de Escultura Moderna ao Ar Livre, hoje é um dos ícones mais famosos do Uruguai.

Está localizado na primeira parada da Playa Brava, bem próximo à Rodoviária, e pode ser visitado a qualquer a hora do dia. Sei de gente que em alta temporada quase amanhece na praia para conseguir tirar a foto com exclusividade.

Casapueblo

Casapueblo

Uma verdadeira escultura habitável, a Casapueblo é o must go do Uruguai. É quase impossível visitar Punta del Este e não dar uma esticadinha até Punta Ballena, a 13 km de distância, para contemplar a grande obra de Carlos Páez Vilaró. A grosso modo, podemos dizer que é uma gigante escultura, dado que toda a casa foi moldada pelas mãos do artista.

O passeio pela casa te convida a conhecer os mais variados momentos da vida e obra do artista. Logo no início é exibido um pequeno filme autobiográfico com os principais momentos vividos, além de inúmeras obras e textos espalhados por todas as assimétricas salas.

Todos os dias ao entardecer é feito uma cerimônia de despedida ao Sol. É um verdadeiro clássico, um momento de emoção e contemplação absoluta, onde o único som é a gravação com a voz do artista declamando o poema.

De fato, não é um passeio nada barato, principalmente para quem vai com uma família grande. Em outubro de 2016 pagamos 240 pesos por pessoa — isso dá aproximadamente 30 reais cada. Além disso, é preciso ir preparado para enfrentar os preços praticados pelo restaurante, papo de R$35,00 por dois cafés. Nós fomos preparados: levamos água de casa — risos.

Uma outra opção é visitar o hotel que fica ao lado, que usa a mesma estrutura da casa, construído com um estilo greco-mediterrâneo. Só que para fazer essa visita é preciso desembolsar outros 300 pesos, por pessoa. A boa notícia aqui é que esse valor é convertido em consumação, ou seja, vai dar pra comprar um café pequeno e uma água.

É possível ir de ônibus à Casapueblo? Sim, nós fomos de ônibus de turismo, que saiu do terminal, e custou 66 pesos a passagem. Basta comprar no guichê das companhias informando Casapueblo e e depois falar o mesmo com o motorista que ele vai te deixar praticamente na entrada da rua que te leva até a casa. No entanto, vai ser preciso andar mais uns 15 minutinhos.

Você vai saltar do ônibus, atravessar a estrada e caminhar no sentido dos carros até uma saída à direita. Desceu? Não entre na rua do condomínio à direita, siga em frente por alguns minutos até avistar a península com um mirante no final e a Casapueblo logo antes também à direita.

Uma observação aqui: quem não tem interesse em conhecer de perto a arte do Vilaró, mas é apaixonado pelo pôr do sol e quer curtir esse momento, é possível ficar no mirante ao fim da estrada ou em um terreno um pouco acidentado ao lado da casa, onde se tem a mesma vista do poente e o melhor: é totalmente gratuito e ainda dá para escutar o poema.

Casapueblo

Agora é que o bicho pega. A hora da volta 🙁 ficamos por um tempo na beira da estrada fazendo sinal para os ônibus e NENHUM parava. A gente fez sinal para os ônibus de todas as empresas de turismo e nada, talvez fosse necessário comprar a passagem com antecedência, não sabemos. Quando já estávamos sem esperança, eis que passa um ônibus urbano para Punta del Este e finalmente atende o nosso pedido. Foi ótimo, porque ele custou apenas 43 pesos por pessoa e nos deixou exatamente no terminal rodoviário onde tomamos o ônibus para ir.

Outros pontos de turísticos de Punta del Este

  • Cassino Conrad: você vai se sentir como pinto no lixo, de tantas máquinas e jogos que verá nesse luxuoso cassino.
  • Passeio por toda a Península: uma caminhada super agradável, que dura um pouco mais de 2h, mas como recompensa ganhará imagens belíssimas e, por fim, vai acabar chegando na Avenida Gorlero.
  • Avenida Gorlero: principal avenida do balneário, são 10 quadras recheada de lojas, restaurantes, cassinos e casas de câmbio, vale a pena a visita para conhecer e fazer compras, se for o caso.
  • Plaza Artigas: quem gosta de feiras de artesanatos precisa visitar a mais tradicional de Punta, com mais de 200 stands, contendo desde souvenir até jóias. Durante o verão funciona todos os dias, a partir das 17h.
  • Puerto: com grande concentração de bons restaurantes, o porto é de fato uma atração. Se quiser contratar algum passeio marítimo — tanto para realizar um dia de pesca quanto para visitar as ilhas — lá tem uma grande variedade de empresas.
  • Tambo Lapataia: uma fazenda com grandes atrativos, principalmente para os pequenos, onde é possível fazer passeio de trenzinho e pônei, além de ajudar na produção de queijo e DOCE DE LEITE e ordenhar as vaquinhas. Aproximadamente a 25 km do centro da Península.

Marina Punta del Este

Considerações finais

  1. O melhor câmbio continua sendo no Chuí , na Val Servicios Financeiros, se você vier por terra pelo Brasil. Se vier por Montevidéu, o melhor que conseguimos achar foi no centro da capital, também na Val Servicios.
  2. Acredito que uns dois dias seja o suficiente para conhecer Punta del Este, mas se quiser estender um pouco mais, não há problema, porque a cidade é ótima.
  3. É ótima sim, mas é cara. Então se prepare para gastar um pouco a mais. Uma boa opção para economizar dinheiro no Uruguai é usar o cartão de crédito internacional para pagar conta de restaurante, pois eles descontam o valor do IVA — saiba mais aqui.
  4. Vale fazer bate e volta a partir de Montevidéu? Sinceramente? Não! A viagem demora umas quase 3h, ou seja, vai perder 6h do dia só no traslado. Além de que não vai conseguir sentir o clima da cidade. Se vier com tempo, pode visitar áreas um poucos mais distantes como La Barra e José Ignácio.

Punta Ballena - Casa Pueblo

Casa Pueblo

Punta del Este



  • Marcelo

    Boa tarde! Primeiramente parabéns pelo Blog! Estou pensando em ir para o Uruguai no começo de Dezembro e estava pensando em incluir Punta del Este no roteiro por dois dias, vocês poderiam me passar uma média de gasto em reais em Punta? Obrigado!

    • Boa tarde, Marcelo!!
      Alguns dados nessa postagem podem te ajudar: http://paraondefomos.com.br/1-mes-estrada-quanto-custa-viver-viajando/

      Nós ficamos 4 noites em Punta del Este e gastamos o seguinte (valores pro casal):
      – 16 reais de ônibus para visitar a Casapueblo em Punta Ballena;
      – 70 reais de ônibus para ir pra Montevidéu;
      – 80 reais de mercado (cozinhamos nossa comida);
      – 52 reais no McDonald’s um dia porque ninguém é de ferro hahahaha;
      – 25 reais do sinal da hospedagem (não pagamos a estadia inteira porque depois fizemos uma parceria com o hostel, mas na época a diária tava 33 reais).

      Foi basicamente isso. Como o The Trip Hostel fica muito bem localizado, fizemos a maioria dos passeios a pé, exceto a visita à Casapueblo, que já é mais distante.

      • Marcelo

        Ah sim, Muito Obrigado Yuri!